UOL Pan 2011 "Na dificuldade é que você encontra outros caminhos", diz COB sobre Pan sem Globo - 15/10/2011 - UOL Pan 2011
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Marcus Vinícius Freire virou CEO do esporte olímpico nacional após 2008

Marcus Vinícius Freire virou CEO do esporte olímpico nacional após 2008

15/10/2011 - 09h33

"Na dificuldade é que você encontra outros caminhos", diz COB sobre Pan sem Globo

Alexandre Sinato, Bruno Doro e Mauricio Stycer
Em Guadalajara (México)

Os Jogos Pan-Americanos começaram na noite de sexta-feira, mas se você só assistiu à TV Globo, não ficou sabendo disso. Guadalajara-2011 é um evento exclusivo da Rede Record e a emissora carioca, líder em audiência no país, está dando atenção mínima ao evento esportivo mais importante da América.

No meio disso está o Comitê Olímpico Brasileiro. A entidade que comanda o esporte no Brasil trata o assunto com o maior cuidado possível. Evita críticas à Record e não discute se a TV paulista vai conseguir o mesmo efeito no grande público que sua rival carioca. Mesmo assim, cheio de dedos para não falar mal do parceiro, o superintendente do COB, Marcus Vinícius Freire, admite que existe uma dificuldade com o fato.

TIME BRASIL CONTRA O ?SE EU TIVESSE?

  • Flavio Florido/UOL Esporte

     

    Um dos motes do trabalho de Marcus Vinícius Freire como superintendente do COB é a profissionalização. Um dos projetos criados foi o Time Brasil, para ajudar na preparação dos atletas para grandes eventos. Idealizado em 2009, começou a funcionar em 2010, com R$ 5 milhões. Em 2011, os investimentos subiram para R$ 18 milhões.

    "Não posso mais cortar, mas tenho de dar, no mínimo, um suporte igual ao dos melhores do mundo para nossos atletas. Hoje, o que o Brasil tem é o que o alto nível tem lá fora. Austrália, Alemanha, Estados Unidos. Queremos acabar com o "se". "Se eu tivesse treinado na altitude", "Se eu tivesse o melhor tênis", "Se eu tivesse o técnico coreano". Nessa hora, nós perguntamos: qual o nome desse coreano?".

“Não considero prejudicial (a exclusividade da Record). Faz parte do mercado ter mais players no negócio. Depois, temos de procurar os caminhos. Em todo problema, você arruma uma oportunidade. E acho que é o caso dos sites de internet, que podem aproveitar. Nossos patrocinadores trouxeram suas equipes para replicar o negócio. Quando a gente tem uma dificuldade é que encontra os outros caminhos. E isso está acontecendo. Muitas vezes você pode achar que na Globo teria mais repercussão. Mas isso poderia acontecer com menos profundidade. Agora, quem está fazendo, faz com muito mais profundidade. Acho que não tem comparação”, afirma o CEO do esporte olímpico nacional.

Em entrevista ao UOL Esporte, Freire falou ainda mais sobre o efeito Record x Globo, seu novo cargo no Time Brasil e a profissionalização que ele personaliza no COB. Confira os principais trechos:

O UOL Esporte já ouviu atletas, informalmente, reclamando que, na Record, o Pan não tem o mesmo tamanho que na Globo. Como você vê reclamações assim?

Você tem que procurar ativar [fazer com os patrocinadores apareçam] de outra forma. Esse é o caminho. Mas não era para ser uma dificuldade. Só é dificuldade porque a nossa vida foi direcionada pelo canal 4 (no Rio Grande do Sul a RBS, retransmissora da Globo, é sintonizada no canal 4). Mas isso está mudando. As pessoas estão zapeando muito mais. As pessoas usam muito mais a internet. Meu filho de 15 anos quase não vê televisão. Ele não é pautado pela TV. É pautado pela internet. Mas nós somos velhos. Somos pautados ainda no antigo. Mas é bom que 2016 conseguiu evitar isso. Ganhou dinheiro com a venda dos direitos e conseguiu que todas as emissoras pudessem transmitir.

Mas o Pan fora da Globo causa algum impacto?

Acho que não. As pessoas vão procurar mais a informação [sobre o Pan] porque às 8h15, quando você sentar no sofá para ver o Jornal Nacional, não vai aparecer nada sobre o Pan. Aliás, pode até aparecer que o Cielo ganhou, mas não vai aparecer que o Bruno Fratus ficou em quinto lugar. Quem gostar de esporte vai procurar essa colocação. Vai falar “Poxa, quero ver como foi o garoto que é nossa revelação”. Ele vai procurar a informação em outros lugares, porque no jornal que ele assiste não vai sair.

CHEFE DE MISSÃO X CEO

  • REUTERS/Mike Blake

     

    Até 2008, Marcus Vinícius (na foto ao lado do presidente do COB, Carlos Nuzman, em 2000) foi chefe de missão do Brasil nos grandes eventos, como Olimpíadas e Jogos Pan-Americanos. Guadalajara-2011 é o primeiro após a passagem do cetro para Bernard Rajzman, outro ex-jogador de vôlei.

    "Quando cheguei ao México e peguei minha credencial, vi que ela não tem o símbolo do garfo e faca, que é o que dá direito a comer na Vila. Depois de 12 anos, é a primeira vez em que eu não vou mais comer na Vila dos atletas. E outra. Também tive de pedir credencial e fiquei até esperando por meu ingresso para a abertura", conta o dirigente.

O Pan de Guadalajara é o primeiro em que você não é chefe de missão. O que mudou?

De 99 a 2008, eu era voluntario no COB. Quando parei de jogar, me formei em economia e fui trabalhar em banco e seguradora. Nos últimos 15 anos, trabalhei como executivo e tirava férias para trabalhar aqui. Foi assim em Sydney, em Atenas, em Pequim, na República Dominicana, no Rio. No fim de 2008, fui convidado para assumir o cargo de executivo do COB. O objetivo era juntar as duas experiências, dos 16 anos em que fui jogador de vôlei com os 15 anos como executivo. É uma função completamente diferente.

Como CEO do esporte nacional, você assume funções que, no passado, foram do presidente?

Não. No COB, o presidente e o vice são voluntários. Nós temos dois executivos. Eu e o Sérgio Lobo, que é do administrativo e financeiro. O meu negócio é esporte. O presidente e o vice fazem uma função mais política e de relações internacionais e institucionais. Essa não é a minha. Meu negócio é esporte.

O que você mudou no modo como o COB trabalha desde que assumiu a função?

Hoje a missão brasileira é profissional. Ela era muito esportiva. Hoje, não é mais. Cada área tem seu especialista. Nosso gerente financeiro do COB é quem está cuidando dessa área na Vila. Antes, quem cuidava do dinheiro era um cara do esporte. Esse conceito foi mudado em função da profissionalização. Em La Loma, tínhamos uma menina especialista em eventos. E ela não precisa entender nada de esporte. Precisa entender de administrar um restaurante, de controlar a saída e chegada do material, da saída e chegada de pessoas. Quem montou todo o projeto Guadalajara nunca fez esporte.

Isso já é legado da organização do Pan de 2007 no Brasil?

O Pan no Brasil mudou a cara do esporte brasileiro. Dali pra frente, nós vimos que com ação profissional conseguiríamos ter mais parceiros. E junto com isso, veio a candidatura olímpica, que era para 2012 e virou 2016. E isso aglutinou mais ainda o interesse das empresas. Deu a possibilidade de profissionalizar, porque eu não posso ter profissionais se não tenho dinheiro para isso. Eu trabalhava em banco, não ganho o que ganhava em bônus, até porque a lei não permite bônus, mas tenho um salário. E, para montar a equipe, tinha de pagar um mínimo para tirar as pessoas das empresas em que elas trabalham. Não tiro ninguém de empresas grandes sem ter respaldo de grandes parceiros. Eu preciso saber que tenho um projeto não de três ou quatro anos, mas de dez anos. O Pan de 2007 deu essa garantia.

Apesar da profissionalização do COB, as confederações ainda engatinham nesse aspecto, certo?

Estamos apostando na qualificação de dirigentes. Mas, como não se paga, e pela lei os presidentes de confederações não podem ser pagos, ninguém se candidata. Quando eu trabalhava no banco, todo mundo queria o meu lugar e eu tinha de mostrar resultado para que um garoto mais novo que eu não assumisse minha função, trabalhando mais do que eu pela metade do meu salário. No caso das confederações, você tem a tendência de não ter candidatos.

E qual a saída para isso?

O caminho pode ser a criação do executivo. A ideia do COB, eu acho, quando montou o formato profissional, foi mostrar que esse modelo é possível. O cara pode ser presidente da confederação pela vida inteira se tiver um executivo trabalhando [em sua confederação]. Tem de profissionalizar para baixo.

Você falou que o presidente pode ser presidente a vida toda. Qual a sua opinião sobre limitar as reeleições em confederações?

Eu tenho duas teorias. A primeira é que, em quatro anos, você não faz nada em perfil internacional. Eu fiquei três Olimpíadas na minha função anterior. Na primeira, não conhecia ninguém. Na segunda, ninguém me conhecia. Na terceira, todo mundo me conhecia e eu conhecia todo mundo. Acho que menos do que uma reeleição, é difícil fazer um trabalho no nível internacional. O hipismo, agora, tem um problema assim. O presidente [Luiz Roberto Giugni] não poder ser reeleito, apesar do bom trabalho feito. Acho que o mínimo seriam dois mandatos. Mas a solução ideal é a feita pelo COI, com 12 anos. Quatro é pouco, para o nível internacional. Precisa de pelo menos oito. E 12 é o que eu acho o tamanho legal.

Você é contra, então, reeleições ilimitadas?

Cada caso é um caso. Muitas vezes você não tem escolha, não tem candidato. Isso é algo que estamos tentando melhorar com a qualificação. Temos um erro, no meu entender, ao dizer, na legislação, que não pode remunerar esse presidente. Diminui o número de candidatos. Acho que esse assunto deveria ser revisto. E muitas vezes, é pior obrigar um presidente a deixar o cargo do que manter o cara por lá. Pode ser pior a emenda do que o soneto. O negócio é que, juridicamente, cada confederação é independente. O remo é um exemplo disso. Deu poder para todo mundo, federações, técnicos e atletas, mas não conseguiu aprovar o novo estatuto.

Você, hoje, é o nome mais forte dentro do COB abaixo do Nuzman. O próximo passo é ser presidente?

Eu não tenho perfil. Minha função é executivo. Meu histórico é esse. Nunca fui votado para. E acho que não seria votado nem se tentasse.

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