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Os Atletas

Campeã olímpica vai de garota problema a estrela maior do atletismo

Gustavo Franceschini
Em São Paulo

Maurren Higa Maggi tem 35 anos, uma medalha olímpica, um caso de doping positivo e um casamento com ex-piloto de F-1 nas costas. Achou muito? Quem acompanha a carreira da atleta desde o início, porém, sabe que ela sempre foi assim.

O agito começou cedo: a saltadora quase foi expulsa do seu time de atletismo em 1994, ano em que chegou a São Paulo, depois que uma parceira nada amiga fez uma lista de todas as coisas erradas que a favorita ao ouro nos Jogos de Guadalajara aprontava.

OS MOMENTOS DE MAURREN MAGGI

  • Flávio Florido/UOL

    A atleta no ápice da carreira, em 2008, celebrando ouro olímpico surpreendente no salto em distância

  • Divulgação/Sollys

    Maurren em um momento mais recente, durante um treino para os Jogos Pan-Americanos de 2011

O primeiro ano de Maurren na capital paulista era também o de estreia das mulheres no projeto. As meninas tinham sido aceitas com uma condição: não criem problemas. A instrução gerou uma pressão constante por bom comportamento sobre as atletas.

“Uma das meninas, por medo de que tudo acabasse, decidiu escrever um relatório com uns 15 itens mostrando tudo que a Maurren fazia de errado. Não tinha nada realmente grave. Ia desde experimentar Danone no mercado a dançar em uma das salas da direção. Mas o coordenador me enviou um ofício pedindo a confirmação da exclusão dela”, conta Nélio Moura. Técnico de Maurren há tempos, ele teve jogo de cintura para convencê-lo de que era melhor manter a jovem.

A própria Maurren lembra de outro episódio. “A minha melhor amiga foi para o hospital porque eu a assustei com uma máscara de lobisomem de madrugada. Eu queria que ela se animasse, porque ela era muito santinha. Foi um susto, porque ela até desmaiou. Hoje eu sou madrinha de casamento dela”, lembra a saltadora, com um sorriso no rosto.

A faceta “arteira”, hoje, ficou no passado. Maurren atingiu o ápice da maturidade após se reinventar ao longo da carreira. Da primeira experiência no atletismo, aos sete anos de idade em São Carlos, sua cidade natal, ao primeiro lugar nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, foram 25 anos de espera.

Maurren surgiu como promessa em 1999, falhou nos Jogos de Sydney em 2000, graças a uma lesão muscular, e viveu seu grande drama em 2003. Ela foi pega no antidoping com clostebol no organismo na competição em que garantiu vaga no Pan-Americano de Santo Domingo.

A substância estava na composição de um creme cicatrizante aplicado após uma sessão de depilação especial, indicada pela amiga Hortência, ex-jogadora de basquete. “Ela tinha uma alergia na pele quando fazia depilação. Tenho a minha esteticista, indiquei e ela foi. E aconteceu tudo aquilo”, lamenta Hortência.

O drama tirou Maurren das pistas por mais de três anos. Ela mudou-se para Mônaco, para ficar com o então marido Antonio Pizzonia, piloto que esteve na Fórmula 1 entre 2003 e 2005. Lá, teve a filha, Sophia. Quando os dois se separaram, o atletismo voltou a ser uma opção. Ela decidiu voltar a treinar para sustentar a herdeira, sem imaginar o que aconteceria depois.

A readaptação foi rápida. Ouro no Pan de 2007, no Rio de Janeiro, foi a Pequim disposta a surpreender. “Ela escreveu uma carta antes da prova e pediu para abrirmos só depois. Na confusão, até esqueci. A gente só foi ver no Brasil. No texto, ela contava tudo que aconteceria. Ela não dizia que seria ouro, mas que sairia vencedora da competição”, conta Tânia Moura, técnica da atleta.

A história que seguiu é famosa. Por um centímetro, Maurren Maggi foi ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, para “tristeza” da filha Sophia. A carismática filhinha da atleta, que depois protagonizaria até uma propaganda com a mãe, queria a medalha de prata, porque achava mais bonita.

BARALHO MISTERIOSO COM FAMOSOS É UM DOS HOBBIES DE MAURREN MAGGI

Muito conhecida no meio esportivo, Maurren Maggi mantém uma roda de baralho com famosos do setor. Ela não revela qual é a “modalidade” do carteado e só deixa escapar os nomes de Ronaldo e Hortência. “Eu vou muito pouco. É uma coisa muito íntima. Jogar tranca, essas coisas: ‘Vamos lá em casa jogar um truco, uma caixeta’. A gente tem uma amizade por conta do nosso convívio normal de atleta mesmo. Da Maurren eu sou muito próxima. Nós jantamos juntas, fazemos compras, vamos ao mesmo cabeleireiro”, conta Hortência.

LEÃO, O CACHORRO DE PELÚCIA, AINDA NÃO SE APOSENTOU

Se você já viu Maurren Maggi no pódio, deve conhecer Leão. O cachorrinho de pelúcia é símbolo das primeiras conquistas nos pódios da atleta e ainda não está aposentado. A mascote sobreviveu e hoje, mais experiente, é até poupada para os eventos mais importantes.

“Eu tenho ele até hoje. Só não levei para o pódio em Pequim porque não deixaram. Só que ele está mais velhinho, aí eu deixo ele em casa descansando”, diz Maurren.

ASSÉDIO PARA POSAR NUA JÁ DEIXOU A MEDALHISTA OLÍMPICA EM DÚVIDA

Maurren Maggi é procurada por revistas masculinas desde que começou a se destacar no atletismo. Apesar de já ter arriscado fotos mais ousadas em alguns ensaios, nunca cedeu às propostas, embora tenha até discutido o assunto com a amiga Hortência.

“Falei da minha experiência. Não deixei de ser mais ou menos respeitada por causa disso. Eu falei: ‘se eu fosse você, posaria’. Mas ela, como qualquer mulher independente, medalhista, não se deixa influenciar por ninguém”, lembra a rainha do basquete.

Mastrangelo Reino / Folhapress

MAURREN MAGGI DÁ CANJA COM CLAUDIA LEITTE E "TREME" COM EX-DOMINÓ

Os colegas mais novos de treino contam que Maurren Maggi adora reunir a equipe em sua casa para churrascos (que ela mesmo comanda) e confraternizações em geral. No meio da festa, ela solta a voz.

“Eu gosto mesmo. Já cantei no VMB [premiação da MTV, ao lado de Pitty e Nando Reis], em show com a Claudinha Leitte em Bragança [veja no vídeo ao lado]. Mas a vez que eu mais fiquei nervosa foi com o Alfonso, ex-Dominó. Pô, eu era apaixonada por ele quando era mais nova”, diz Maurren.

Maurren Maggi
Maurren Maggi
  • http://pan.uol.com.br/2011/herois-brasileiros/maurren-maggi.htm
  • Herói Brasileiro: Maurren Maggi
  • 21/01/2019
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Medalhas

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    CUB 58 35 43 136
    BRA 48 35 58 141

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