Bruno Oliveira e Bernardo Arndt ainda estão magoados pelo episódio de 2007
Enrique Figueroa. Esse é o nome do velejador de Porto Rico que fez uma denúncia contra Bernardo Arndt e Bruno Oliveira no Pan de 2007 e conseguiu tirar o ouro dos brasileiros. O desânimo com o fato fez a dupla se afastar da vela por dois anos. Eles voltam a se enfrentar neste domingo na disputa pela medalha de ouro da classe Hobie 16. O problema para Bernardo e Bruno é que eles estão atrás do portorriquenho.
“A sacanagem do Pan passado foi traumatizante, então nós voltamos aos poucos a velejar juntos. A denúncia que ele fez foi por uma peça que ajuda a vela a subir e não faz diferença no resultado. Depois que a vela subiu, não faz mais diferença. O que ele fez foi antiesportivo e, se eu pudesse, faria igual só contra ele por causa disso tudo”, admitiu Bernardo, o mais experiente da dupla com 44 anos.
Os brasileiros só se animaram para levar novamente a sério a parceria quando voltaram e, com uma semana de treino, foram campeões brasileiros em 2009. O retorno foi premiado com um título europeu na Áustria neste ano. A vitória foi mais saborosa por ser justamente sobre Enrique Figueroa.
| O barco brasileiro em melhor situação na vela dos Jogos Pan-Americanos foi desclassificado. Por causa de um problema em um componente do veleiro que compete na classe hobie cat 16, Bernardo Arndt e Bruno Oliveira ficaram de fora da disputa no Rio de Janeiro. |
“Como sou educado, cumprimentei ele, mas o clima foi ruim e não fiz questão nenhuma de ser simpático. É difícil. Não consigo perdoar o que ele fez. Não foi uma conduta esportiva, por isso até a federação mudou alguns procedimentos”, argumentou Bernardo.
Segundo ele, em 2007, o juiz que deu o ganho de causa a Figueroa também era de Porto Rico. Com o resultado, Figueroa subiu do quarto lugar para o terceiro e levou a medalha de bronze. “Agora pelo menos existe uma comissão para julgar essas denúncias.”
Bruno Oliveira, de 23 anos, também mostra mágoa. “Mas é melhor esquecer o passado e pensar só no futuro. Precisamos chegar em primeiro lugar e eles ficarem no máximo em quarto. É difícil, mas já conseguimos reverter situações piores.”
Bruno, inclusive, já se distanciou da vela duas vezes. Antes do trauma de 2007, foi a falta de dinheiro que o desanimou. Então, ele foi trabalhar no tradicional boteco de seu pai em Ilha Bela. “Não era um emprego fixo, mas eu estava sempre lá ajudando, assim como meus irmãos. Aí o Bernardo veio me convidar para velejar na Hobie Cat e não pensei duas vezes.”
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