Rosane Ewald exibe a imagem que usa para se concentrar para as provas de tiro esportivo
A importância da concentração para o tiro esportivo é ressaltada a todo momento pelos atletas do esporte. Rosane Ewald leva o assunto ainda mais a sério do que o normal. A atleta é adepta da auto-hipnose, e diz ficar praticamente surda pouco antes de cada competição.
“Toda noite faço a prova mentalmente e repito frases positivas, que evitam que eu pense em coisas ruins durante a prova. Na hora, sento e respiro com calma, para abaixar a pressão. Aí pode cair o mundo do meu lado que eu não presto atenção. Se o juiz quer falar comigo, por exemplo, ele tem de me cutucar, senão eu não ouço ele falando do meu lado”, disse Rosane, que também carrega consigo um papel com a imagem da medalha pan-americana e as frases em questão.
Em Guadalajara, no entanto, a técnica não funcionou. Rosane ficou na 21ª colocação entre as 24 competidoras da carabina de três posições e sequer foi à final. “Fiquei muito abaixo da minha média. Hoje o vento me atrapalhou. No Brasil não treinamos com vento, e aqui também fiz vários treinos e nunca com o vento. Me estrepei”, disse a brasileira.
Mesmo diante do resultado negativo, Rosane segue defendendo a técnica, que aprendeu com o técnico Silvio Aguiar há quatro anos. “Comecei a treinar com ele e quebrei meu primeiro recorde brasileiro usando a auto-hipnose. Muitos atletas são descrentes. A técnica é motivo de piada até entre os brasileiros, mas eu confio, porque para mim faz diferença”, avaliou.
Qualquer barulho da torcida, por exemplo, pode afetar o desempenho. Em sua prova no Pan, disputada no último sábado, ela diz ter “desligado” após ouvir cliques da máquina de um fotógrafo. “Faltavam só uns quatro tiros e eu sabia que eu estava mal. Mesmo assim eu parei e fiquei alguns segundos respirando para retomar a concentração, porque eu desliguei totalmente com o barulhinho”, concluiu Rosane.
O problema não é só dela. Júlio Almeida estava perto de um ouro em sua prova, mas acabou se distraindo e caindo de lugar no pódio. "Você tenta não pensar em nada. Eu, algumas vezes, já pensei na namorada, na praia. Tenta ficar sem pensar em nada e você vê como é difícil. Uma vez, num campeonato, comecei atirando muito bem e pensei: acho que vou ganhar o ouro. Depois disso, não consegui mais atirar bem e fui mal na classificação", disse Júlio, que terminou o Pan com dois bronzes.
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