Marcel (à direita) aplica uma voadora em Marcio, em foto de 2003; parceria se repete
A rivalidade tradicional da infância parou na inofensiva guerra de travesseiros. Na extensa delegação brasileira que vai aos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara estão incluídos alguns casos de irmãos que dividirão espaço na cidade mexicana. Só que o cenário de disputa mudou, e os atletas que às vezes até competem um contra o outro falam em clima de paz e ajuda durante a competição mexicana.
Diego e Daniele Hypolito, os irmãos mais famosos, mostram entrosamento fora do tablado de ginástica
Fenando Neves, mais velho da família, vai competir em Guadalajara com o irmão Felipe, o caçula
O apoio é tanto que vale até apanhar pelo irmão. O sacrifício fraterno em 2011 é de Marcel Wenceslau. O lutador compõe uma equipe de nove sparrings que foram até San Luis Potosi, no México, ajudar na preparação da equipe de taekwondo.
“Ser sparring não é demérito nenhum. O fato de estar aqui é gratificante, ainda mais porque estou ajudando meu irmão Márcio”, disse Marcel ao COB.
Mas nem só do taekwondo vivem os irmãos-atletas brasileiros. A parceria familiar ainda está presente em pelo menos mais seis esportes. No badminton, Lohaynny e Luana Oliveira Vicente vão representar o país no feminino, podendo se cruzar durante a competição. Na luta olímpica, Adrian e Antoine vão torcer um para o outro em categorias distintas.
Os irmãos mais famosos do esporte olímpico brasileiro também estarão no Pan. Daniele e Diego Hypolito, importantes na popularização da ginástica nos últimos dez anos, já falaram várias vezes sobre a importância da relação que têm para seus resultados.
“No início, ele entrou e saiu da ginástica duas vezes. eu insistia: Diego, fique, é bom para você, você vai conseguir”, contou Daniele, a mais velha, em 2005.
“Ela é uma das maiores referências. É um ídolo que eu tenho, um modelo de busca de superação, de força de vontade”, disse Diego, logo após conquistar seu primeiro título mundial, ao UOL Esporte.
Nem quando a rivalidade aperta o clima fecha. No handebol, o goleiro titular Maik vê o irmão mais velho Marcão como sua sombra na seleção brasileira. No esqui aquático, Fernando e Felipe Neves, os irmãos Brucutu, disputarão uma medalha na categoria slalom, mas sem rivalidade.
“A gente tenta se ajudar. No esqui aquático do Brasil não tem muito essa competitividade. Todo mundo dá uma força, porque tem muito pouca gente praticando”, disse Fernando, o mais velho.
A dupla não foi trio por pouco. Escalado para disputar as modalidades truques, salto e overall, Caio Neves foi cortado em cima da hora depois que se lesionou tentando tirar uma árvore da estrada que leva ao seu sítio, no interior de São Paulo.
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