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26/07/2007 - 23h00

Ex-reserva de Edinanci, Rosângela marca seu nome na luta do Brasil

Fernanda Brambilla
Enviada especial do UOL
No Rio de Janeiro

A primeira medalhista pan-americana do Brasil na luta, Rosângela Conceição só conseguiu esse trunfo depois de uma das maiores decepções de sua vida. A lutadora, que era judoca, estava fadada a ser reserva da tricampeã Edinanci Silva na seleção brasileira, até que ficou de fora da seletiva para Atenas-04 e decidiu largar seu primeiro esporte.

Fernanda Brambilla/UOL
A lutadora Rosângela Conceição com seu técnico, o cubano Alejo Morales
Desconsolada, Rosângela conheceu a luta olímpica em 2003 por intermédio de seu atual técnico, o cubano Alejo Morales, que achou que ela "levava jeito".

"Eu não tinha mais nada a perder. Tinha acabado de sofrer uma grande derrota na seletiva, ia ficar de fora de Atenas, e estava disposta a largar o judô. Fui conhecer a luta de brincadeira, mas gostei; passei a levar a sério, e hoje marquei meu nome na história desse esporte no país", emociona-se Rosângela, a Zanza.

Atualmente, Zanza é campeã pan-americana de luta até 72 kg, e medalhista de bronze no Rio 2007, sua estréia em Jogos Pan-Americanos. Até hoje, ela mantém contato direto com sua adversária do judô, Edinanci, que virou sua grande conselheira.

"Edinanci é uma grande amiga, que me ajuda muito, desde o começo da carreira. Estamos sempre nos falando, ela me dá muitos conselhos. E ela é muito boa, não é à toa que levou mais um ouro. Não ia sobrar nada pra mim atrás dela", brinca Zanza, que chegou a integrar a seleção de judô das Olimpíadas de Atlanta-96, como reserva.

Realizada na luta olímpica, Rosângela conta que demorou a se acostumar com a falta do quimono. "Na luta é direto no corpo, segura na manga, no ombro, no cabelo, não tem tanta roupa pra segurar o impacto. Só não deixo que peguem no meu cabelo, porque uma puxada destrói as minhas tranças", reclamou. "A americana até deu uma puxada, mas eu olhei feio e ela tirou a mão."

Vaidosa, a brasileira diz que não luta se não estiver com o longo cabelo bem trançado. Sua cabelereira, cativa, cuida do penteado de Zanza antes de cada competição. "Para o Pan fiz algo mais colorido, mais alegre. Mas gosto de inovar sempre, pôr novas cores, tudo para ficar mais bonita", diverte-se a lutadora. "Vejo as meninas saindo descabeladas, ah, não pode. Tem que terminar a luta bonitinha."