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26/07/2007 - 16h22

Carateca fica com prata e quer festejar com reza e funk

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro

A brasileira Valéria Kumizaki terminou sua participação nos Jogos Pan-Americanos com a medalha de prata. A carateca perdeu, nesta quinta-feira, para a guatemalteca Cheily González por 3 pontos a 1 na final da categoria até 53 kg do caratê.

Rodrigo Bertolotto/UOL
Valéria Kumizaki festeja a prata conseguida na categoria até 53 kg no caratê
NELSON SARDEMBERG É BRONZE
VEJA COMO FOI A LUTA
"Estou um pouco triste, mas estou feliz", definiu a brasileira ao final da luta, sem tirar o sorriso do rosto. Com a adrenalina a mil, após o pódio, ela disse que se motivou ouvindo funk carioca. "Dá uma energia. Agora vou na igreja agradecer por minha prata e depois quero cair no baile funk. Já combinei com o resto da equipe para quando o torneio acabar", disse a lutadora de Presidente Prudente que se diz muito religiosa e devota do catolicismo.

"Não lembro o que fiz na luta. E, se soubesse como poderia ter ganho, eu faria com certeza", brincou a carateca, sobre a rapidez do combate (três minutos) e a emoção viveu que durante esse tempo.

Também era só alegria a lutadora da Guatemala, que ganhou a primeira medalha de ouro para o país da América Central nesse Pan (vencendo subiu cinco postos no quadro de medalhas geral). E também foi o primeiro ouro também para o caratê de seu país na história dos Jogos. "Estou tão emocionada. Nunca me senti a ganhadora durante o combate, busquei ser prudente", disse Cheili.

O curioso é que a guatemalteca perdeu para a brasileira por 1 a 0 na primeira fase. "Cometi erros que não podia repetir, para não pagar o preço", disse a atleta que tinha sido bronze em Santo Domingo-2003.

Com o público quase lotando as arquibancadas do ginásio Miécimo da Silva, no bairro de Campo Grande (zona Oeste do Rio), a brasileira entrou confiante para a luta.

Valéria, porém, não conseguiu manter o aproveitamento de 100%, que apresentou nas quatro lutas anteriores, e cedeu aos contra-ataques da lutadora visitante, que foi superior. Os três minutos de luta começaram com estudos de parte a parte.

Mas faltando 29 segundos, a visitante fez seu primeiro ponto. Passados 13 segundos, abriu um 2 a 0. E, com 10 segundos para acabar, as duas trocaram socos, o que valeu um ponto para cada e o sangramento do nariz da guatemalteca. Nessa pausa, a torcida gritou "Valéria, Valéria", mas na volta ela não conseguiu pontuar. Resultado: 3 a 1.

"Foram detalhes que definiram o combate. O caratê é muito rápido e preciso, por isso o público às vezes acha que foi ponto e não é. A vitória da menina da Guatemala foi incontestável", analisa o técnico de Valéria, Irineu Loturco, sobre a reação da torcida que acreditou na vitória da local e vaiou a decisão dos juízes.

Na campanha da brasileira, foram quatro vitórias para chegar à final, três na primeira fase. Na semifinal ela ainda derrotou a chilena Jessy Reyes por 4 a 1, que terminou com a medalha de bronze.

Além dessa medalha, o Brasil subiu mais quatro vezes no pódio do caratê. Foram duas medalhas de ouro (com Juarez dos Santos na categoria mais de 80 kg e Lucélia na categoria mais de 60 kg), uma de prata (com Carlos Lourenço na categoria até 65 kg) e uma de bronze (com Nelson Sardemberg, que perdeu a semifinal por 5 a 3 para o chileno Diego Borquez).