UOL Esporte - Pan 2007
UOL BUSCA
Reuters

Nome completo:
Jorge Ferreira da Rocha

Data e local de nascimento:
17/09/45, Rio de Janeiro

Peso/Altura:
66 kg / 1,67 m

Residência:
São Paulo (SP)

Prova:
adestramento

Cavalo:
Livello

Participações no Pan:
Winnipeg-1999

Jorge Rocha

Aos 61 anos, Jorge Rocha conseguiu ficar entre os três classificados para o Pan-Americano de 2007 depois de estar numa lista de sete pré-convocados. Fazendo conjunto com Livello, que monta há apenas um ano, ele acredita em pelo menos uma medalha de bronze no Rio, o que garantiria a classificação da equipe para os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Um dos donos de uma grande empresa de seguro de saúde, Rocha é médico formado e divide os vários compromissos profissionais com o treinamento. O ritmo não é fácil: "Umas 11h30, 12h30 da manhã eu saio para treinar. Volto duas da tarde. Eu não almoço direito. Isso é todo dia. No sábado e no domingo eu vou pela manhã na Hípica treinar", conta.

Fora isso, o cavaleiro se preocupa também com o preparo físico. "Três vezes por semana eu treino com o Zé Elias (José Elias de Proença), que é o preparador da seleção feminina de vôlei", diz.

Apesar de gostar de cavalo desde a infância, o início no adestramento foi tardio, apenas com 47 anos. Mesmo assim, os resultados apareceram rápido. Desde 1993, quando começou no esporte por conta de um problema de saúde, ele bancou a idéia e começou a se auto-patrocinar em vários eventos fora do país.

Em menos de 10 anos, tinha medalha no campeonato sul-americano (1997) e foi o primeiro cavaleiro brasileiro a se classificar no adestramento para uma Olimpíada (de Sydney, em 2000). "O coronel Renyldo (Renyldo Ferreira, que praticava salto e adestramento) foi convidado uma vez. Eu fui porque me classifiquei. Isso era inédito", relembra.

Antes, entretanto, ele sofreu um susto. Seu cavalo na época se assustou com um barulho de uma bandeira flamulando e levou o cavaleiro para as arquibancadas. No tombo, ele rompeu uma artéria e quebrou cinco costelas. No hospital, Rocha ainda teve duas paradas cardíacas, mas sobreviveu.

A tragédia foi superada com mais treino e competições. Ele conta que começou a se apresentar em todos os lugares do mundo para pegar a experiência. França, Alemanha, Hungria fizeram parte do seu roteiro, em que competia e ganhava experiência. "Cheguei até ser capa de revista por causa do meu desempenho em pouco tempo. Mas ninguém que começa aos 47 anos no esporte vai ficar entre os 10 do mundo", explica.

Mesmo empolgado com o Pan brasileiro, Rocha já prevê seu final de carreira para a Olimpíada de Pequim. Entretanto, antes de encerrar sua participação no esporte, ele já olha para trás com o orgulho pelo que fez.

"Modestamente, minha função no adestramento foi de abrir portas. Fiz o mesmo que o Nelson (Pessoa) fez no salto. O Nelson foi um (Emerson) Fittipaldi, que fez a mesma coisa na Fórmula 1", diz ele, que completa: "Não que eu seja um Pelé. E essa é vantagem do adestramento, poder começar tarde".
<