Na maratona, Solonei ganhou a última medalha de ouro para o Brasil no Pan do México
Cada medalha conquistada pelo Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara custou R$ 6,5 milhões aos cofres públicos. Somando apenas os dois maiores projetos esportivos do governo federal, a Lei Piva e a Lei de Incentivo ao Esporte, foram investidos R$ 928 milhões nos últimos quatro anos. O resultado foram 141 medalhas, 48 delas de ouro em Guadalajara.
Para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), foi o melhor desempenho da história do esporte nacional em Jogos Pan-Americanos fora do país. No Rio de Janeiro, em 2007, o país conquistou 157 medalhas e 52 ouros. Em 2003, em Santo Domingo, foram 123 pódios e 29 ouros. No quadro de medalhas, o país foi o terceiro em número de ouros, atrás de EUA e Cuba, mas ficou atrás dos caribenhos no total de pódios em 2011 e 2007. Em 2003, foi o quarto, atrás também do Canadá.
“O desempenho do Brasil no Pan do Rio foi fora de série e conseguimos, aqui, manter o patamar. Não digo que sou terceiro porque no número de medalhas superamos Cuba. Digo que somos Top 3. E ainda tivemos muito mais abrangência do que Cuba nessas conquistas. Eles ganharam em 23 modalidades, nós, em 35. Falar em potência olímpica é abrir a base. E isso nós fizemos”, comemora o superintendente executivo do COB, Marcus Vinícius Freire.
Guadalajara-2011 é o primeiro Pan-Americano em que os atletas tiveram quatro anos trabalhando com a Lei de Incentivo ao Esporte, em que empresas podem deduzir parte de seus impostos para investir no esporte. O projeto não envolve apenas atletas de alto rendimento, mas engloba algumas iniciativas de grande porte.
A verba para o “poder paralelo” que está sendo criado no esporte, por exemplo, passa por ela. No começo do ano, três grandes iniciativas no esporte nacional, desafiando o poder do COB no esporte olímpico. A maior delas é da Petrobras, em parceria com o Instituto Passe de Mágica, criado pela ex-jogadora de basquete Magic Paula, que abraçou boxe, esgrima, remo, taekwondo e levantamento de peso.
Outra iniciativa é o LiveWright, um movimento de grandes empresários para investimento na criação de centros de treinamento para o esporte brasileiro. A entidade já investe na ginástica e tem braços no tênis, na luta olímpica e no ciclismo. No mesmo molde, o grupo Lide, de João Dória Junior, também lançou um projeto esportivo, baseado no apoio ao atletismo e ao tênis.
Em Guadalajara, as modalidades dessa iniciativa somaram 47 medalhas, 14 delas de ouro. Nem todos os atletas medalhistas, porém, fazem parte de iniciativas dos projetos.
Além disso, o esporte olímpico também passou a receber verba de prefeituras. Se em São Paulo é comum que cidades como São Caetano, Santos ou São Bernardo, ou Santos tenham projetos esportivos voltados aos Jogos Abertos do Interior, o Rio estreou no Pan o “Time Rio”, que montou uma equipe de atletas de elite. Oito deles, incluindo Diego Hypolito, da ginástica, Ricardo Winicki, o Bimba, da vela, e Rosângela Santos, do atletismo, subiram ao pódio no México.
“Hoje, a grande parte da verba do esporte olímpico brasileiro vem da Lei Agnelo-Piva. A Lei de incentivo está crescendo, mas ainda precisa de mais iniciativas e elas podem, sim, ser no alto rendimento. Além disso, temos o Time Rio, que é um exemplo para outras prefeituras. Espero que, em quatro anos, eu venha aqui para falar de ainda mais investimentos no esporte”, completou Marcus Vinícius.
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