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Seleção brasileira tem três jogos neste sábado e tenta uma boa colocação nas quartas

Seleção brasileira tem três jogos neste sábado e tenta uma boa colocação nas quartas

29/10/2011 - 07h06

Ex-demolidor de casas, capitão do rúgbi brasileiro contou com vaquinha para começar

Alexandre Sinato
Em Guadalajara (México)

Hoje ele se dedica só ao rúgbi e será o capitão do Brasil no Pan, mas Fernando Portugal já engoliu muita poeira. Literalmente. Quando se aventurou na Itália em busca de uma experiência profissional no rúgbi, ele trabalhou como servente de pedreiro em obras de demolição e reconstrução. Com a marreta na mão, pôs casas abaixo nas horas que antecediam os treinamentos.

  • Alexandre Sinato/UOL Esporte

    Portugal bateu de porta em porta nos clubes da Itália até conseguir uma vaga na Série A local

“Quando chegava para treinar pensava: ‘algum italiano vai pagar por isso’”, conta Portugal, aos risos. Hoje ele acha graça, mas os dois anos na Itália não foram fáceis. Principalmente o primeiro.

Portugal ganhava um pequeno salário no Brasil dando aulas de rúgbi quando decidiu ter uma experiência maior e se dedicar só ao esporte. Escolheu a Itália como destino. O problema é que ele não tinha dinheiro para a passagem. “O time que eu treinava na faculdade fez uma vaquinha e aí consegui comprar a passagem.”

Ao desembarcar em solo europeu, o capitão do rúgbi não tinha onde ficar. Muito menos tinha algo acertado com algum clube. “Pesquisei alguns clubes na internet e fui batendo de porta em porta. Queria um país onde o rúgbi fosse profissional e onde eu pudesse dar conta. Todos faziam cara feia por eu ser brasileiro, mas comecei a fazer testes.”

Depois de não poder ficar em um time da Série B por ser estrangeiro, Portugal conseguiu espaço na equipe da elite italiana: o Segni, sediado em cidade homônima. Passou no teste e foi negociar o contrato com o presidente. Pediu um teto e um trabalho.

“Não pedi dinheiro porque meu visto de turista já estava acabando e não podia arriscar, mas disse que precisava trabalhar e de um lugar para morar. No primeiro ano dividi uma casa com um argentino no centro histórico de Segni. O problema é que não tinha aquecedor, então no frio a gente sofria demais”, relembra.

Brasileiros no décimo quarto dia do Pan de Guadalajara
Brasileiros no décimo quarto dia do Pan de Guadalajara

O trabalho foi como servente de pedreiro, das 7h30 às 16h. O treino de rúgbi era na sequência, das 18h às 20h30. “Chegava em casa morto, não tinha força para nada. Às 21h já estava capotado. No segundo ano consegui um contrato melhor. Ganhava salário, morava num apartamento melhor e tinha até carro. Ganhava também uma refeição por dia num restaurante, porque antes eu só comia macarrão. Não trabalhava mais na obra e dava aula de rúgbi.”

Após dois anos no rúgbi italiano, Portugal decidiu voltar ao Brasil para ajudar a modalidade a crescer no país. Hoje, ele é um dos quatro atletas que têm patrocínio pessoal e coordena um projeto de rúgbi em São Paulo. “Foi o primeiro projeto de rúgbi aprovado na lei de incentivo ao esporte. Dediquei minha vida ao rúgbi. Hoje tenho 30 anos e jogo rúgbi. Se não der certo, estou ferrado. Mas o rúgbi é minha prioridade de vida.”

O rúgbi está no Pan de Guadalajara como demonstração na categoria Seven (os resultados contam para o quadro de medalhas) e entrará no ciclo olímpico depois de Londres-2012. O Brasil está no grupo B e faz três partidas neste sábado, contra Canadá (14h15 de Brasília), Estados Unidos (16h10) e Chile (17h40). A primeira fase serve apenas para definir os cruzamentos das quartas de final, no domingo.

Medalhas

  • País
    Ouro
    Prata
    Bronze
    Total
    EUA 92 79 65 236
    CUB 58 35 43 136
    BRA 48 35 58 141

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