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Myke Carvalho derrotou o chileno Patricio Villagra por 30 a 8, maior placar do Pan

Myke Carvalho derrotou o chileno Patricio Villagra por 30 a 8, maior placar do Pan

25/10/2011 - 14h00

Brasil deixa de ser patinho feio do boxe e conquista respeito de juízes e rivais

Bruno Doro
Em Guadalajara (México)

O boxe brasileiro está vivendo o efeito Everton Lopes. Campeão mundial dos 64 kg, o primeiro da modalidade no país, ele foi o responsável por uma mudança de status que está clara nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. O Brasil não é mais um patinho feio do boxe amador, que ganha algumas lutas, mas se apequena contra as nações maiores.

VITÓRIA NO TAPETÃO TAMBÉM VIRA EXEMPLO DE FORÇA DO BOXE NACIONAL

  • Bruno Doro/UOL Esporte

    Um dos exemplos do respeito que o Brasil ganhou foi visto também fora do ringue. No fim da segunda-feira, o meio-pesado Yamaguchi Falcão lutava contra o dominicano Felix Alvarez quando acertou um golpe na linha de cintura do rival. Uma câmera da TV Record captou o golpe e mostrou que o soco acertou o abdome direito do dominicano.

    Alvarez se contorceu e convenceu os juízes de que tinha levado um golpe baixo. O brasileiro foi desclassificado e o dominicano, alçado para a semifinal. Mas os brasileiros protestaram e, uma hora depois da luta, a organização corrigiu o erro e trocou o resultado, eliminando o dominicano e garantindo uma medalha ao brasileiro, que foi para a semifinal.

Na segunda-feira, o melhor exemplo foi dado por Robson Conceição. O baiano encarou o norte-americano Toka Kahn-Clary ignorando o fato de que os EUA são uma potência olímpica. Ele entrou no ringue, comandou o combate, lutou como se a chance de perder não existisse.

“O título do Everton muda tudo. Há alguns anos já olham de maneira diferente para os brasileiros, mas o título mundial deixa o Brasil em pé de igualdade. Ainda roubam um pouco, mas é muito menos”, diz, sincero, Robson.

O roubo da frase diz respeito ao critério de pontuação do boxe. Para que um golpe seja computado como ponto, três dos cinco juízes devem apertar o botão correspondente. “Campeão mundial é campeão mundial. Ele entra e os juízes olham de maneira diferente. Pontuam o que veem, não tem aquele negócio de não dar o golpe por não ter certeza se o cara realmente fez o que ele viu”, continua o técnico do time brasileiro, João Carlos de Barros.

Myke Carvalho, o mais experiente da equipe, sentiu as duas situações. “Antes, olhavam para os brasileiros como escadas na chave. Hoje, nos respeitam. Estão nos olhando de um jeito diferente. O título do Everton coroou essa evolução que o boxe já vinha tendo”, diz o boxeador paraense, que, na segunda-feira, fez o maior placar do boxe no Pan até agora, 30 a 8 contra o chileno Patrício Villagra.

Apesar da subida de espaço, o Brasil não vai conseguir igualar, pelo menos em número de medalhas, o desempenho do Rio de Janeiro. A equipe verde-amarela colocou sete atletas nas semifinais, contra oito no Rio-2007. Os lutadores que já garantiram medalha em 2011 são Roseli Feitosa (75 kg), Julião Neto (52 kg), Robenílson de Jesus (56 kg), Robson Conceição (60 kg), Everton Lopes (64 kg), Myke Carvalho (69 kg) e Yamaguchi Falcão (81 kg). Os únicos fora do pódio são David Lourenço (75 kg) e Adriana Araújo (60 kg).

Brasileiros no décimo dia do Pan de Guadalajara
Brasileiros no décimo dia do Pan de Guadalajara

Medalhas

  • País
    Ouro
    Prata
    Bronze
    Total
    EUA 92 79 65 236
    CUB 58 35 43 136
    BRA 48 35 58 141

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