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Adrian Jaoude encara canadense no Pan: o próximo pode ser o irmão Nicolas
Antoine, medalha de prata no Pan de 2003, na República Dominicana, já tem 34 anos. Adrian, quinto colocado em 2011, acaba de fazer 30. Já no fim de suas carreiras na luta olímpica, os irmãos Jaoude preparam um sucessor para manter a tradição da família no esporte: Nicolas, de 17 anos, será o próximo Jaoude da luta.
Nada de Anderson Silva ou José Aldo. O caminho para que o MMA vira uma modalidade olímpica está bem longe do glamour e do dinheiro dos mega-eventos do UFC. Desde o início do ano, a Federação Internacional de Lutas (Fila) abraçou o vale-tudo, no primeiro passo para que as artes marciais mistas alcance o status olímpico.
Em março, a Fila incluiu a disciplina em suas discussões e criou uma comissão para estabelecer regras factíveis para a modalidade. Para que a entrada nos Jogos fique mais próxima, a escolha foi usar o mesmo formato do boxe: no lugar de lutadores profissionais, amadores. E nada de golpes diretos na cabeça. Como no boxe olímpico, os atletas usam protetores na cabeça – e ainda ganham proteção nas pernas. Além disso, alguns golpes permitidos no MMA profissional são proibidos, como certas cotoveladas.
“Ele é o meu sucessor. Estamos treinando juntos há alguns anos e ele já é vice-campeão brasileiro cadete. Mas ele é mais forte do que eu, tem um futuro incrível. Aliás, espero que, enquanto estou aqui no México, ele esteja treinando. Se não estiver, vai se ver comigo”, conta Adrian, o treinador do caçula.
Nicolas é o primeiro dos lutadores da família a viver toda a sua vida no Brasil. Antoine nasceu no Rio de Janeiro, mas morou no Líbano dos seis meses até os 13 anos. Adrian já nasceu no Líbano, durante o exílio forçado da família.
Em 1977, os Jaoudes foram para Beirute, no Líbano, no que deveria ser uma viagem breve de reencontro familiar. A viagem começou durante o cessar-fogo, mas antes do retorno ao Brasil, os aeroportos foram fechados. A volta foi adiada pela guerra civil, que recomeçaria dois anos depois. Foi em Beirute que Antoine conheceu a luta.
Seu primeiro contato com o esporte, no entanto, foi tímido. "Comecei vendo pela TV. Lá, o esporte é muito divulgado, aparece bastante", diz. "Achei legal e comecei a brincar com os meus amigos."
Na volta ao Brasil, com 13 anos depois, uma de suas primeiras providências foi se matricular em uma academia, onde praticava boxe-tailandês. "Foi lá que eu conheci o Beto [Roberto Leitão, coordenador da Confederação Brasileira de Lutas] e comecei a treinar de verdade", lembra.
Levar os irmãos para o esporte foi o passo seguinte. Já são dois, mas mais Jaoudes devem vir. “Somos um clã mesmo. Depois dos irmãos, vão chegar os filhos, os netos...”, completa Adrian.
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