Carla Moreno é triatleta, mas poderia ser pedagoga, nutricionista, jornalista...
É normal ver atletas abandonarem a faculdade. Mas quatro cursos trancados, só mesmo Carla Moreno. Veterana do triatlo nacional, ela vai ao Pan de Guadalajara após tentar, e não conseguir, completar quatro cursos de graduação diferentes.
“Quando eu engrenava na faculdade, chegava a hora do Pan, das Olimpíadas. São dois anos muito pesados para os atletas, por conta das viagens. Quando eu voltava, me desinteressava pelo curso que estava fazendo”, conta a triatleta.
Ela tentou pedagogia, nutrição e jornalismo. No total, estudou por sete anos e meio – sem contar uma quarta tentativa, que também não funcionou. “Tentei aqueles cursos de dois anos, mas não consegui também. Você precisa viajar muito no triatlo. Tem de somar pontos no ranking mundial, não basta fazer o índice olímpico. Então, não dá tempo mesmo”, continua.
O plano de se formar, porém, ainda não foi engavetado. “Eu quero aproveitar o curso 100%, não empurrar a faculdade para ter um diploma. Isso não faz parte do meu perfil. Quero fazer uma coisa de cada vez, bem feita. Por isso, só volto para a faculdade quando encerrar a minha carreira”.
Ruim para Carla, que vai ter de esperar para conseguir o diploma, mas bom para o esporte nacional. Em 15 anos na modalidade, foi campeã mundial júnior, venceu o Mundial de Aquatlon (natação e corrida), conquistou a medalha de prata dos Jogos Mundiais Militares e é octacampeã do Troféu Brasil de Triatlo. Em Guadalajara, vai atrás da segunda medalha pan-americana. A primeira foi a prata de 1999.
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| BICICLETA
Em 1999, Carla Moreno se tornou a primeira brasileira a conquistar uma medalha pan-americana no triatlo. A prata em Winnipeg serviu para amenizar um contratempo: na véspera da viagem, ela teve sua bicicleta roubada em São Carlos e quase desistiu da competição. Além disso, sua bagagem foi extraviada no voo para o Canadá. | PARADA Em 2007, em uma prova em Goiânia, Carla Moreno desmaiou. Ela sentiu falta durante a natação e sentiu a vista escurecendo. Na parte de ciclismo, sofreu uma parada cardiorespiratória. Os médicos descobriram que a asma, doença que fez a atleta começar a nadar na infância, tinha voltado, com força. | ÚLCERA
Não bastasse a asma, Carla também tem de lidar com problemas no sistema digestivo. Ela é celíaca e não pode comer nenhum alimento que contém glútem, como trigo e aveia - o pão, por exemplo, está riscado da dieta. Além disso, em 2010 teve um úlcera perfurada, foi parar no hospital e teve de fazer uma cirurgia de emergência. |
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