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  • Brasil se aproxima de Pan-2011 com recorde de confederações em intervenção
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22/06/2011 - 07h07

Brasil se aproxima de Pan-2011 com recorde de confederações em intervenção

Roberta Nomura
Em São Paulo

A ausência de um presidente eleito, incerteza e burocracia extra. Uma confederação que passa por período de intervenção vive tudo isso. O processo passou a ser comum nos últimos anos e atualmente três entidades nacionais (badminton, tiro esportivo e vela) são comandadas por um agente externo. É com este recorde que o Brasil se aproxima dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011 e prepara seus atletas para as Olimpíadas de Londres-2012.

SAIBA QUAIS AS CONFEDERAÇÕES QUE JÁ PASSARAM POR INTERVENÇÃO E AS DATAS

Modalidade Período Intervenção
Tênis - dezembro/2004 a janeiro/2005
- fevereiro/2005 até maio/2005
Justiça
Vela - fevereiro/2007 até hoje COB
Levantamento de peso - abril/2008 até janeiro/2008 COB
Tiro esportivo - abril/2010
até hoje
Justiça
Badminton - maio/2011
até hoje
Justiça

Embora o cenário pareça desanimador, as confederações tentam manter a normalidade e negam que a situação arranhe a credibilidade. "É mais uma questão legal, de não ter autonomia para fazer algumas coisas como acertar um patrocínio. Mas não há queda na credibilidade. Não temos nenhum credor batendo na nossa porta", explicou Kadu Baggio, superintendente da CBVM (Confederação Brasileira de Vela e Motor).

Há dois tipos de intervenções: feita diretamente pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) ou a determinada pela justiça. Em ambos os casos, o responsável por dirigir a entidade em questão não é escolhido por quem tem poder de voto. Os atletas mantêm o direito de receber o repasse da Lei Agnelo/Piva, mas são submetidos a uma burocracia extra. “Temos uma responsabilidade grande com o dinheiro público. E fazemos tudo o que tem que ser feito. Vai para o atleta, tem gasto com transporte, diárias... O que acontece é que não temos acesso ao dinheiro, mas sim ao crédito”, explicou Paulo Antônio Guedes de Lima e Silva, administrador judicial da CBTE (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo), que está sob intervenção desde abril de 2010.

O que acontece na prática é que as confederações sob intervenção não tem acesso direto ao dinheiro público da Lei Agnelo/Piva – proveniente dos 2% da arrecadação das loterias federais. O procedimento financeiro é intermediado pelo COB, que, por exemplo, compra passagens. Entenda abaixo algumas situações: 

INTERVENÇÃO NA VELA DURA MAIS DE 4 ANOS E NÃO TEM PRAZO PARA ACABAR

  • Fred Hoffmann/ZDL/Divulgação

    Em 2007, a vela deveria ter entrado nos eixos, com Lars Grael no comando da Confederação. Ao assumir, porém, descobriu que a gestão anterior tinha deixado cerca de R$ 100 milhões em dívidas e pendências fiscais (herdadas do bingo que patrocinava a entidade). Lars deixou a CBVM e acionou o COB, que foi obrigado a assumir a gestão da entidade. O interventor nomeado foi Carlos Luis Martins, que já tinha executado a função na companhia aérea Varig.

    Com o Comitê no controle, aumentou a burocracia. Para prestar contas de acordo com a Lei Piva, viagens, compra de equipamentos e investimentos em geral passaram a ser definidos pelo COB. O maior impacto ficou por conta dos patrocinadores. Em 2007, a vela era o esporte da moda, com grandes empresas dispostas a apostar no esporte após um empreendimento pioneiro (o barco que disputou a regata de volta ao mundo conseguiu cerca de R$ 40 milhões em patrocínio). Com intervenção, porém, a Confederação não conseguiu mais fechar acordos com patrocinadores.

    Só com a verba da Lei Piva, a opção da CBVM foi apostar nas equipes olímpicas e diminuir o investimento na base. "A confederação tem trabalho ativo com jovens talentos. Mas como não temos grandes patrocinadores, concentramos investimentos na campanha olímpica. A vela não é como esporte coletivo. Precisamos de traje para velejar, equipamento, manutenção e deslocamento do barco. É um gasto muito alto", explica Kadu Baggio.

    O fim da intervenção está longe. Martins já falou algumas vezes em convocar eleições, mas os problemas fiscais afastaram candidatos. "Disseram que estão encontrando alternativas e, em breve, teremos uma solução. Para o próximo ciclo olímpico, alguma coisa deve mudar. Não sei se antes ou depois das Olimpíadas", finaliza o superintendente.

BADMINTON E TIRO ESPORTIVO PASSAM POR INTERVENÇÃO DA JUSTIÇA

Irregularidades na aplicação de verba, falta de auditoria e conselho fiscal e uma eleição desastrada foram os motivos que levaram o ex-técnico da seleção brasileira Luiz de França a acionar a justiça contra a Confederação Brasileira de Badminton. O resultado foi a queda do antigo presidente Celso Wolf Júnior e o início da intervenção em 2 de maio. "Não eram feitas assembléias de prestação de contas dos filiados. Não tinha fiscalização. Na eleição, deu empate de cinco a cinco e ele permaneceu no cargo por ser mais velho. Mas ele próprio desqualificou três federações que podiam votar", disse França, candidato derrotado no pleito realizado no final de 2008. Agora, a entidade está sob o comando do interventor Manuel Gori, que já presidiu a Federação Paulista de Badminton. Ele tem 60 dias para regularizar a situação, mas deve pedir prorrogação do prazo. "Para que dê tempo de passar por auditoria, fazer assembleias de prestação de contas e regularizar tudo", explicou França. O UOL Esporte tentou contato com Gori, mas ele não atendeu a reportagem. Um imbróglio nas eleições também foi determinante para a CBTE (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo) entrar na lista de entidades sob intervenção. "A chapa perdedora entrou com um pedido de liminar para cancelar assembléia e fazer nova eleição. Um ano depois o desembargador julgou o recurso, viu irregularidade e determinou que colocasse um administrador judicial por três meses para, depois, realizar nova eleição", explicou Paulo Antônio Guedes de Lima e Silva, administrador judicial da CBET. No entanto, ainda não há definição das federações estaduais aptas a votar e, portanto, a entidade segue sob o comando de Silva, que assumiu como administrador judicial em 19 de abril de 2010, sem prazo para terminar. Em sua 'gestão', o Brasil obteve duas vagas olímpicas em Londres-2012, mas Silva adverte para os problemas. "Sou um representante do juiz. Não tem vice-presidente nem diretoria. Por um lado facilita para fazer algumas coisas, mas não é uma situação boa porque é uma determinação única que prevalece e a confederação deveria estar em sua plena normalidade", opinou.

TAEKWONDO AFASTA PRESIDENTE MAS NÃO PASSA POR INTERVENÇÃO

Jung Roul Kim deixou a presidência da Confederação Brasileira de Taekwondo por decisão tomada em assembleia extraordinária das federações estaduais. Com a destituição de Kim por gestão temerária, o então vice-presidente Carlos Fernandes assumiu o comando. Campeão pan-americano Diogo Silva criticou abertamente a antiga gestão, mas, agora, adota postura mais cautelosa. "Vinha engasgado com muitas coisas. Não mudei a minha posição sobre as coisas, só aplico de forma diferente. No momento em que ganha um título, você tem que mostrar o seu trabalho. É isso que vai render o seu futuro", disse ele que faz parte de uma recém-criada comissão de atletas que negocia direto com confederação.

Medalhas

  • País
    Ouro
    Prata
    Bronze
    Total
    EUA 92 79 65 236
    CUB 58 35 43 136
    BRA 48 35 58 141

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