UOL Esporte - Pan 2007
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28/07/2007 - 18h03

Para ministro, vaias do Pan não atrapalham candidatura olímpica

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro

O Pan do Rio foi "uma bela edição", "deixa como legado uma cidade olímpica" e viu a delegação brasileira com um "bom resultado", fruto da "ampliação do financiamento vindos do Estado". A entrevista coletiva do ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., foi uma distribuição de elogios à organização dos Jogos.

Até as vaias generalizadas, que atingiram primeiro o presidente Lula e depois várias delegações estrangeiras que enfrentaram os brasileiros, foram minimizadas por ele. "O público brasileiro é muito vibrante, participativo. As vaias aconteceram, mas a platéia acabou se reeducando, porque cada esporte tem seu comportamento", disse, descartando que isso causou má impressão nos visitantes, apesar das críticas até dos atletas nacionais.

O representante do governo federal só não perdoou a péssima estrutura para abrigar as partidas de beisebol e softbol (esta última modalidade não terminou seu torneio), construída no terreno lamacento da Cidade do Rock, local que tradicionalmente abrigava o Rock In Rio. "Cobraremos explicações dos responsáveis. Foi um descaso como foi preparado. Os atletas estavam em risco, muitos profissionais das ligas norte-americanas. Ainda mais em um esporte tão popular no nosso continente", disse.

Mas o ministro classificou a sede problemática como "um caso isolado" e "uma nota dissonante" entre as várias instalações que funcionaram "a contento".

Silva afirmou ainda que o desafio agora é a agenda pós-Pan. O primeiro passo deve ser a cerimônia do dia 3 de agosto, quando o presidente Lula irá assinar a lei de Incentivo ao Esporte, aprovada no ano passado, mas que demorou para ser sancionada porque a prioridade federal girava em torno do Pan até agora.

Diante de uma comitiva de premiados no Rio, o presidente assinará a lei que cria isenção fiscal para a empresa que investir em esporte. O ministro também prometeu estender o programa bolsa-atleta para modalidades que ainda não tem patrocínio, como por exemplo, o taekwondo, cujos medalhistas pan-americanos fizeram várias reivindicações após o pódio.

O ministro também destacou o esquema de segurança do Pan. "Testamos e aprovamos um novo sistema de segurança. Nenhum incidente foi visto durante do Jogos", disse Silva, sem lembrar que um remador norte-americano foi assaltado, um carro da comitiva de Lula na abertura foi roubado e pedras alvejaram ônibus da organização quando passava pela Linha Amarela.

Diante das perguntas das agências internacionais de notícia, ele pediu apoio de Madri à candidatura do Rio para receber a Olimpíada de 2016. "A Espanha já recebeu os Jogos recentemente [Barcelona-1992]. É a vez da América do Sul, que nunca sediou um evento desses", declarou.