UOL Esporte - Pan 2007
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20/07/2007 - 08h44

Potência da América, seleção feminina mira afirmação no Pan

Giancarlo Giampietro
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro

A seleção feminina de basquete se mantém desde 1994 entre as quatro melhores equipes do mundo. Com exceção do deslize do Mundial de 2002, na Rússia, o time sempre esteve entre os quatro finalistas em todas as edições desse torneio e das Olimpíadas.

O Pan marca a despedida de duas figuras importantes da seleção brasileira: a ala Janeth e o técnico Barbosa.

Janeth pretendia se aposentar no Mundial de São Paulo, no ano passado, mas optou por jogar no Rio de Janeiro. Ela está há 20 anos na equipe e fez a transição de jogadora operária para estrela. Conquistou o título mundial em 1994 e também duas medalhas olímpicas para se firmar como um dos maiores nomes da história da modalidade.

Já Barbosa não é uma unanimidade de crítica, mas também passou por momentos de relevância da equipe. Em 21 anos como técnico das seleções cadete, juvenil e adulta, Barbosa acumula 172 vitórias em 220 jogos oficiais. No currículo, destaque para a medalha de bronze em Sydney-2000; bronze no Pan de Caracas-1983 e Santo Domingo-2003 e nove títulos sul-americanos.
DUPLA DESPEDIDA
Quando o assunto é Jogos Pan-Americanos, porém, há um mistério: por que não consegue se firmar nesse torneio como potência no alto do pódio? No continente, apenas os Estados Unidos, primeiros colocados, aparecem à frente no ranking da Fiba (Federação Internacional de Basquete) do Brasil, o quarto.

E os norte-americanos não mandam suas atletas profissionais para o Pan, o que abre caminho para um favoritismo verde-e-amarelo. Mas essa condição ainda não foi confirmada. "O problema é que nós também temos nossos desfalques", disse o técnico Antonio Carlos Barbosa.

O último ouro conquistado pelo país veio em Havana-1991, quando a ala Janeth - que vai se despedir da equipe no Rio - ainda era coadjuvante da estelar dupla Paula-Hortência.

De lá para cá, o time acabou atrapalhado pelo próprio sucesso, propalado especialmente pelo título mundial de 1994 e pela prata em Atlanta-1996. As seguidas boas campanhas internacionais resultaram na transferência de boa parte de sua base para o exterior, seja WNBA ou basquete europeu.

Em Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003, a equipe acabou representada por uma equipe mista. Nos Jogos do Canadá, ficou com a quarta colocação, derrotada pelos Estados Unidos na disputa pelo bronze. Já na República Dominicana um erro de contagem da mesa tirou a equipe das finais, e a seleção teve de se contentar com o bronze. Em Mar del Plata-1995, o torneio não foi realizado devido ao reduzido número de participantes inscritos.

CBB/Divulgação
Pivô Kelly substitui Érika no garrafão em sua terceira participação no Pan
Agora, no Rio, a seleção ainda volta a aparecer desfalcada. A ala Iziane e a pivô Érika, titulares, não foram liberadas por suas equipes da WNBA. Ainda assim, o técnico Barbosa confia em um bom rendimento e na confirmação de novos nomes. "O bom dessa situação é que favorece o surgimento de novas jogadoras. Apesar de perder títulos, você pode ganhar novos nomes", afirmou.

Para o lugar de Iziane, o treinador aposta na jovem ala-armadora Karen, que teve bom rendimento na preparação para os Jogos e assegurou posto de titular ao lado da veterana Janeth.

Cuba, com um elenco de muita força física e bem experimentado, promete ser o principal adversário da seleção. Os Estados Unidos estarão com uma equipe sub-22 e também merecem atenção.