Quem assistiu ao jogo treino entre Uruguai e Brasil, na última quarta-feira, certamente notou o pivô uruguaio Nicolas Orlando "Topo". Com a cabeça raspada, ele se destacava. Não pelo talento, mas pelo tamanho.
Em um esporte dominado por gigantes, ele é um gigante ao seu modo. Com 1,68m, pesa 109 quilos. Isso mesmo, 109 quilos. "Um pouco mais pesado do que os outros? Pode falar que eu sou muito mais pesado. E ainda sou mais baixo que todo mundo também", diverte-se o atleta uruguaio.
Pelos padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde, Orlando é considerado obeso. Seu índice de massa corporal é de 38,6, enquanto o de uma pessoa normal varia de 18,5 a 25. Ele está perto, inclusive, da obesidade mórbida, para pessoas com IMC acima de 40.
Seu marcador no jogo treino contra o Brasil, por exemplo, foi o armador Jaqson: com 1,92m e 98kg, ele é o oposto de Orlando - apesar de, pelos padrões da OMC, esteja com sobrepeso: IMC de 26,5.
"Sou muitíssimo mais pesado e tenho muitas dificuldades de altura. No handebol, é muito bom ser grandão para receber a bola lá em cima. Mas, às vezes, é muito bom também ser baixo para receber a bola no pé. Para os grandões, é bem difícil marcar as bolas que vão pra mim embaixo", garante o gordinho.
Um pouco encabulado por responder sobre o rival, Jaqson concorda. "Não que tenha sido difícil marcá-lo. Mas eu tive que ficar quase agachado para ficar em cima dele". "Ele não foi muito acionado, mas quase marcou um gol", lembra o goleiro Maik.
Orlando, porém, não foi sempre assim. Veterano da seleção uruguaia de handebol desde 2000, ele jogou o Pan de Santo Domingo, no qual o Uruguai terminou em quarto lugar, perdendo a decisão do bronze para os Estados Unidos por dois gols - e sete pênaltis perdidos. "Estou 20 quilos mais gordo do que em 2003. Tive uma lesão e adoro comer..."
A reação dos atletas brasileiros ao jogador foi bem humorada. Ao ser perguntado sobre "o número 20 do Uruguai", Jaqson deu de ombros. "Quem?" Ao descobrir quem era Orlando, sorriu: "O gordinho?" Felipe Borges apenas sorriu ao ser perguntado sobre o jogador. Bruno Santana até amenizou as dificuldades: "Como ele é pivô, não atrapalha muito".