UOL Esporte - Pan 2007
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09/07/2007 - 10h17

Com Morcegão e Pé de Pano, Brasil busca medalhas no Pan

Felipe Mendes
Em São Paulo

Já escolheu seus ídolos do Pan? Que tal torcer para Morcegão, Pé de Pano, Brucutu, Marreco e Palmito? Não gostou? Porque são estes alguns dos atletas que estarão vestindo o uniforme do Brasil nos Jogos Pan-Americanos 2007. A força do apelido é tanta que alguns nem são conhecidos pelos próprios nomes.

Morcegão, ou o desconhecido Rodrigo de Melo Brito, quase nem ouve seu próprio nome. Ele mesmo já assina como Rodrigo Morcegão e reconhece que talvez não atenderia se o chamassem na rua pelo nome que consta na sua certidão de nascimento. Embora sua fisionomia lembre o apelido dado, ele diz que foi por conta apenas das sobrancelhas grossas. Mas nem um momento o ciclista se incomodou com o novo nome. Tanto que até tatuou no braço direito um desenho de um morcego pedalando: "É um morcego em uma bike estilizada. E, claro, com as sobrancelhas grossas".

APELIDADOS DO PAN
Reprodução
Hugo Hoyama (Mr. Magoo)

Ganhou o apelido por conta dos oito e sete graus de miopia
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José Rodrigo Rangel (Pé de Pano)

Começou a ser chamado assim pelo jeito de andar "molengão"
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Leandro Loureiro (Charada)

O sorriso igual ao do Jim Carrey lhe rendeu o apelido
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Marcelo Marques Giardi (Marreco)

Não conseguia fazer uma manobra e ganhou o apelido
Outro exemplo de atleta que praticamente abdicou do próprio nome para dar lugar ao apelido é Marcelo Marques Giardi, ou Marreco, que competirá no wakeboard, prova das competições de esqui aquático. Atualmente, ele é o principal nome da modalidade, mas começaram chamar assim justamente por algumas dificuldades que ele tinha para manobras: "Eu não conseguia acertar a cambalhota (backroll) e meu amigo começou a me chamar de marreco". Desde então Marreco nunca mais seria Marcelo.

Charuto também trocou o nome de Felipe Santos pelo apelido. Mas, segundo ele, não por desejo próprio. A brincaderia teria começado na infância e ficou quando entrou para a seleção de pólo aquático. Porém, há outras versões. Uma, inclusive, escusa. "Talvez por que ele seja comprido e moreno, mas não tenho certeza", conta supervisor de pólo aquático da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Ricardo Cabral. Um dos três brasileiros da seleção que atuam na Europa, entretanto, Charuto foi cortado do Pan às vésperas da competição.

Quem também não escolheu como queria ser chamada foi Hélia de Souza. No seu caso, a fisionomia também foi essencial para determinar sua alcunha. A inspiração foi o cachorro-extraterrestre do programa Balão Mágico: Fofão. O apelido foi dado pelo atual técnico da seleção feminina de vôlei, José Roberto Guimarães, devido às bochechas da jogadora.

A lista dos "codinomes" aumenta quando são considerados aqueles que não usam o apelido como nome de competição. É justamente o caso dos remadores Alexandre Nocetti, ou Macarrão, Leandro Loureiro, o Charada, e José Rodrigo Rangel, também conhecido como Pé de Pano. Nocetti começou a ser chamado assim depois de liquidar pratos imensos de massa. Já o de Rangel vem do cavalo do desenho animado Pica Pau. "Quando moleque eu era meio molengão, no jeito de andar assim e corria bem. Aí começaram a me chamar assim. Não gostei e pegou", conta. Charada ganhou o nome por ter o sorriso parecido com o do ator norte-americano Jim Carrey, que protagonizou o inimigo de Batman nos cinemas.

No rol de apelidos que correm somente entre os próprios atletas está o do mesa-tenista Hugo Hoyama. Com 8,0 graus e 1,5 de astigmatismo no olho direito e 7,0 graus de miopia e 1,0 de astigmatismo no esquerdo, o único apelido que lhe restou foi o do desastrado e quase cego detetive dos desenhos animados Mr. Magoo. Ele, porém não se incomoda e até conta quando lhe perguntam, mas prefere as lentes de contato para competir, deixando de lado os grossos óculos.

O handebol também apresenta seus apelidados. Um deles é Dara, que chama Fabiana Carvalho Carneiro Diniz. O novo nome, com o qual se consagraria na seleção brasileira, veio à época de uma famosa novela que tinha como núcleo principal uma família de ciganos. "O apelido pegou porque era época da novela Explode Coração, com a cigana Dara, noiva do Igor - o nome do meu então namorado".

Mas ela não é a única. E se livrou de longe do apelido mais estereotipado. O pivô Pré é que tem do que reclamar. Afinal, seu apelido veio do seu jeito rude de ser. Um jeito..."pré-histórico". Seu nome? Danilo Paulino da Silva, mas do jeito que o apelido ficou, talvez nem ele se lembre mais.