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18/06/2007 - 09h39

Estrela, Scheidt luta por despedida dourada longe dos 100%

Bruno Doro
No Rio de Janeiro

O paulista Robert Scheidt é a grande estrela da vela nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Aos 34 anos, ele é oito vezes campeão mundial, dono de três medalhas olímpicas, duas delas de ouro, e ainda é tricampeão pan-americano, tudo na classe Laser.

PERFIL DE ROBERT SCHEIDT
Folha Imagem
Scheidt disputa Pan na Laser em transição para classe Star
Nascimento: 15/04/1973
Local: São Paulo (SP)
Altura: 1,88 m
Peso: 79 kg
Classes: Laser (Pan) e Star (campanha para Olimpíadas)
Principais títulos: Vice-campeão mundial da classe Star (2006);
8 vezes campeão mundial da classe Laser (1995, 1996, 1997, 2000, 2001, 2002, 2004 e 2005);
3 medalhas olímpicas (ouro em Atlanta-1996 e Atenas-2004 e prata em Sydney-2000);
3 medalhas de ouro pan-americanas (Mar del Plata-1995, Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003);
Eleito pela ISAF (Federação Internacional de Vela) o melhor do mundo em 2001 e 2004.
Esse currículo o coloca como grande favorito para o tetracampeonato no Pan-Americano do Rio de Janeiro. Para o velejador, porém, esse será um dos campeonatos mais difíceis que já disputou. Desde 2005 ele está velejando na classe Star, um barco maior e que é velejado em dupla, mais técnico do que o Laser, pequeno e individual.

"Voltar à classe Laser depois de um período tão longo me dedicando à classe Star tem um gostinho especial. Mas sei que não dá para voltar aos 100%, e por isso mesmo estou me preparando para uma disputa muito acirrada por medalhas. Sou tricampeão pan-americano e tenho a pretensão de me tornar o primeiro brasileiro a ser tetra", afirma.

A preparação também não foi a ideal. Em seis meses, Scheidt treinou cerca de 45 dias na Laser. O resto do tempo foi dedicado à Star. Na nova classe, em que veleja com Bruno Prada, ele vai tentar a vaga olímpica no Mundial de Cascais, em Portugal, a partir do dia 28. Depois, volta correndo para o Brasil para o Pan. Confira a entrevista com o velejador:

UOL: Como conciliar as disputas de Star e Laser em 2007?

Scheidt:
Não é o ideal, mas não tinha outro jeito. Sempre disse que o ideal seria a inclusão da classe Star no programa oficial do Pan. Como isso não aconteceu, tive de fazer um calendário conciliando as duas. Vai ser cansativo. Também não terei muito tempo de preparação às vésperas do Pan. Minha última competição na Star antes do Pan será exatamente uma das mais importantes, o Campeonato Mundial, em Cascais (Portugal).

UOL: O Pan do Rio é diferente dos outros que você disputou?

Scheidt:
Gosto bastante dos Jogos Pan-Americanos. Foi uma das primeiras competições de nível internacional que eu conquistei, em 1995, na Argentina. Desta vez, no Brasil e na minha despedida da classe Laser, será especial. Sempre sonhei com um Pan ou uma Olimpíada no Brasil e agora vou tentar coroar o sonho com a medalha de ouro. Sobre os lugares, lembro de Santo Domingo, em 2003, na República Dominicana, onde fui o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura. Além disso, tive uma performance excelente, ganhei todas as dez regatas nos cinco primeiro dias do campeonato e sequer entrei na água no último dia. A pobreza do local chamou muito minha atenção, porém o povo era muito atencioso com os atletas. Além disso, a estrutura foi razoavelmente boa. Em Mar del Plata e mesmo em Winnipeg, a estrutura não tinha nada de excepcional também.

UOL: Quem serão os seus principais adversários no Pan do Rio?

Scheidt:
A grande surpresa é o argentino Julio Alsogaray, que tirou a vaga do experiente Diego Romero, meu velho adversário na Laser. Ele foi campeão do Princesa Sofia, na Espanha (Robert ganhou na Star com Bruno Prada) e terceiro do Centro Sul-Americano. Além dele tem o americano (Andrew Campbell), o chileno (Matías del Solar) e o canadense (Mike Leigh).

UOL: Qual a diferença da classe Laser para a Star?

Scheidt:
Na Laser, velejo sozinho e preciso de um condicionamento físico excepcional. É por esse motivo que muitos velejadores deixam a Laser antes dos 30 anos. Na Star, além de velejar em dupla, o barco é muito maior, muito mais técnico. São duas formas muito diferentes de velejar. Tive de aprender a ser líder, pois na Classe Laser sempre velejei sozinho, o que significa que quando eu resolvo dar um bordo, eu mesmo comando, ajo e executo. Na Star foi fundamental entender o timing do parceiro e a importância de uma boa comunicação. A dupla ideal é aquela que tem confiança, sinergia e respeito.

UOL: Por que a mudança?

Scheidt:
São 15 anos velejando de Laser. É a classe em que construí meu nome e minha imagem. Mas chegou a hora de mudar, por mais difícil que seja essa mudança. O ano passado foi excelente, de um crescimento muito grande e de resultados muito bons, tanto que terminamos na liderança do ranking mundial. Encontrei no Bruno (Prada, seu parceiro) um atleta motivado, dedicado e muito talentoso. Tivemos uma campanha ascendente, com bons resultados no exterior, e também por isso a transição vem no momento certo. Minha vida foi sempre cheia de desafios, e estou pronto para mais um.

UOL: Como você enfrentou as críticas do ano passado quando decidiu mudar de classe?

Scheidt:
Críticas nem sempre são negativas, pelo contrário, são sempre positivas pois me fazem pensar melhor, me levam a superar ou resolver as situações com mais consciência. Eu me decidi pela Classe Star pelo desafio e futuro que ela representa, o que por si só já é um grande motivador.

UOL: Agora na classe Star, como fica a rivalidade como o Torben Grael?

Scheidt:
Admiro demais o Torben, que tem um talento e uma experiência fantástica. Tenho muito o que aprender com ele, e por isso mesmo, a nossa rivalidade se restringe às raias de competição, pois fora dela nós temos um relacionamento respeitoso e amigável.