O mundo fashion e o mundo da vela vão se fundir no Pan-Americano. Não, você não verá nas águas da Baía de Guanabara marcas famosas como Louis Vuitton ou Prada, que investem em regatas internacionais como a America's Cup. No Rio 2007, esse relacionamento será bem mais sutil.
Após uma série de problemas legais que impediram as obras planejadas, a Marina da Glória finalmente deve começar a ganhar a cara do Pan-Americano. Para isso, irá usar o esqueleto de estruturas temporárias deixadas pelo Fashion Rio, evento de moda realizado no local entre os dias 3 e 8 de junho.
Segundo o secretário municipal especial do Pan, Ruy Cezar Pimenta, as novas obras na Marina, que ganhará estruturas temporárias para abrigar os cerca de 140 barcos do Pan, é simples e não exige muito tempo para ser montada.
"Recebemos hoje do CO-Rio (Comitê Organizador dos Jogos) o projeto para a Marina. Os custos são de cerca de R$ 2 milhões e serão bancados pela concessionária. Como são estruturas temporárias, será uma obra rápida, ainda mais porque vai usar algumas estruturas que já foram montadas para o Fashion Rio", explicou Cezar.
Secretário geral do CO-Rio, Carlos Roberto Osório disse que a área usada deve ser a mesma que recebeu a Volvo Ocean Race, regata de volta ao mundo que esteve no Rio de Janeiro no ano passado. "Os barcos devem ficar na área logo em frente à tenda fixa, com algumas estruturas sendo montadas na área de estacionamento e no outro centro de eventos", avisou.
O Fashion Rio ocupou toda a área livre da Marina, além dos dois centros fixos de convenções. Foram erguidas seis tendas, quatro delas para abrigar desfiles. O CO-Rio não informou qual das estruturas continuará de pé para o Pan.
Os problemas na Marina da Glória começaram no meio do ano passado, quando a liminar que a concessionária, EBTE (Empresa Brasileira de Terraplanagem e Engenharia) foi cassada pela justiça do Rio. As obras foram consideradas irregulares porque o Parque do Flamengo, onde está localizada a Marina, tem o projeto tombado.
Após uma guerra de liminares em que as obras foram paralisadas e recomeçadas algumas vezes, em fevereiro a Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) autorizou o CO-Rio a fazer as provas de vela com instalações temporárias. A partir daí, porém, começou uma briga de empurra sobre a responsabilidade da obra.
O prefeito César Maia chegou a afirmar que a Prefeitura não pagaria a obra e que a concessão corria risco. Em troca da reforma que a Marina precisava para o Pan, a prefeitura prorrogou a concessão da EBTE em 50 anos. Com o anúncio desta quarta, essa polêmica termina.